Convido vocês hoje para conversarmos sobre essa tríade — mãe, pai e criança — que começa muito cedo, desde o momento em que o bebê é formado. Esse laço que deve existir precisa ser construído desde cedo.
Ainda há muitos bebês que são gerados sem planejamento, mas, de qualquer forma, existindo o bebê, ele precisa, ao nascer e ao crescer, saber que foi fruto de um laço de amor. Independentemente do relacionamento e do tipo de relacionamento, existiu, sim, um desejo de mãe e de pai — desses que se tornarão mãe e pai.
É preciso que a criança saiba disso, mesmo que esse relacionamento depois não corra tão bem. É preciso que, ao nascer, ela seja reconhecida como filho. Assim como aparece naquele desenho O Rei Leão, se vocês assistiram, quando o pai, Mufasa, diz: “Este é meu filho”.
Isso precisa acontecer porque é, e porque essa criança precisa ter um lugar na vida do pai e da mãe. É assim que se formam os vínculos: os vínculos de amor, de afeto e de importância, que vão dar sustentação para essa criança por toda a vida.
Mesmo nós, adultos, somos capazes de lembrar o carinho que tivemos na infância — ou a falta dele. E essa falta deixa marcas que podem prejudicar a vida e a luta pela vida desse ser humano que nós criamos, para sempre.
Então, vamos pensar: se fizemos um filho — talvez a única coisa que criamos na vida —, um menino ou uma menina, ele precisa saber que veio de um laço de amor. Seja menino ou menina, prematuro ou a termo, forte ou frágil, já ao nascimento essa criança precisa saber que foi bem-vinda, bem aceita, e que existe um lugar na vida de vocês para ela.
Sou Luci Pfeiffer, médica pediatra e psicanalista, e aguardo vocês na próxima coluna Pequenas Conversas.
Até lá!
