Olá, é bom ter vocês com a gente na nossa coluna Pequenas Conversas, onde falamos sobre crianças, adolescentes e o seu cuidar. A coluna é uma parceria da Rede AERP de Notícias com o Dedica.
Hoje, quero convidar vocês para conversarmos um pouco sobre os diagnósticos. Tantos diagnósticos que têm aparecido na infância e na adolescência: transtornos, transtornos de comportamento, transtornos de desenvolvimento. É importante pensarmos no que está acontecendo com essa geração. Será que ela realmente está nascendo mais doente? Ou será que existe, por parte dos pais e dos profissionais, uma intolerância ao maravilhoso que é ser criança: descobrir o mundo, insistir desde pequenininhos em nos usar como espelhos?
E nós, como adultos, sendo esse espelho, precisamos insistir em praticar aquilo que fazemos. Falamos muito e pensamos muito na criança que começa a engatinhar e que, de repente, vai colocar o dedinho na tomada porque viu um adulto colocar algo ali. Você tira essa criança dali e, pouco tempo depois, ela está novamente no mesmo lugar. Ela não está ali porque é teimosa ou desobediente — até porque ela nem tem ideia do que seja obediência.
A obediência é algo que se ensina no sentido da proteção: “não coloque o dedinho aí porque machuca, porque dói, porque é uma tomada”. Essa é a nossa função como pais e mães.
Precisamos ter cuidado para que o excesso de trabalho e a falta de tempo não nos façam perder a admiração pelo bebê que cresce, que diz as primeiras palavras, que começa a andar e a chamar a nossa atenção. Ao longo da vida, essa mesma criança vai nos trazer suas dificuldades e também seus sucessos.
Atenção: hoje, um diagnóstico comum, como o transtorno opositor, pode estar sendo usado de forma exagerada. Só podemos dizer que uma criança desobedece ou não segue regras se, antes, nós ensinamos essas regras a ela. Os rótulos têm se tornado muito frequentes e, muitas vezes, acabam justificando a nossa falta de atenção e de cuidado.
Fica aqui o alerta.
Agradeço a atenção de vocês e espero todos na próxima coluna Pequenas Conversas.
