Olá, é muito bom ter vocês com a gente na nossa coluna Pequenas Conversas, onde nosso interesse comum são as crianças e os adolescentes: o seu desenvolvimento e o seu bem-estar. Tudo isso para que possamos cuidar bem da primeira infância, da segunda infância e da adolescência, formando adultos saudáveis física e psiquicamente, capazes de lutar pela vida.
Hoje, em meio a tantas ocupações, as telas têm feito cada vez mais parte do dia a dia das crianças. Não deveriam. Ninguém substitui o humano no ensinar, no acolher e no proteger uma criança ou um adolescente.
Vivemos um tempo em que muitos pais se apaixonaram pelas telas — e depois pelas telas também para os filhos. Elas passaram a ser o recurso do momento: “Filho, preciso terminar essa conversa, pegue o celular”; “Filho, preciso fazer o almoço”; “Filho, preciso terminar meu trabalho”. Assim, oferecemos o celular como um cuidador. Isso não pode acontecer.
Na primeira infância, esse uso excessivo atrapalha profundamente o desenvolvimento, pois o filho precisa da nossa voz. A criança necessita do nosso estímulo em várias dimensões, e não apenas na tela plana do celular. Desde que os smartphones entraram em nossas vidas, isso tem gerado uma geração cada vez mais fixada neles. Hoje, vemos adolescentes que se trancam nos quartos, se fecham no mundo virtual, conversam com estranhos e apresentam condutas cada vez mais radicais.
Tudo isso diante de uma inteligência artificial pronta para “pescar” crianças e adolescentes abandonados na internet. É preciso cuidado: a internet não é um lugar seguro nem respeitoso para a infância e a adolescência. Se a tua voz, como pai ou mãe, não está ensinando o teu filho, a internet vai ensinar. E pode ensinar coisas muito ruins — inclusive a desistência da vida.
Fica aqui esse alerta.
Agradeço a atenção de vocês e espero que, na próxima coluna, estejam novamente com a gente.
Sou Luci Pfeiffer, médica pediatra e psicanalista, e aguardo vocês.
