Nesse mês lindo de se falar de crianças, quem sabe possamos conversar um pouco sobre como a criança vê o mundo? Como ela nasce, a partir do nascimento e essa é a nossa série. Falamos já do nascimento e agora a partir do nascimento, um bebê não nasce pronto, ele não tem coordenação nenhuma de seus movimentos, ele começa a tentar nos olhar e mesmo assim são segundos e esse olhar por uma incoordenação motora e até por não estar pronto o seu sistema nervoso central, não existe toda a ligação desses neurônios que estão no cérebro com as partes que vão efetivar os movimentos e que vão dizer desse comportamento do bebê.
Nenhum bebê nasce pronto, nenhum bebê nasce chorão ou agressivo ou irritado, ele nasce pronto para uma vida dependente e é de quem cuida que ele vai aprender como viver, por isso, se temos paciência, se conseguimos entender o choro como um pedido, a única ‘’fala’’ que ele é capaz de ter, podemos começar a dar significado. Acho que você está chorando porque está com fome, mas já passou uma hora e ele mamou bem, então talvez seja fraldinha molhada, talvez você queira um aconchego. E assim a gente vai dizendo para o bebê interpretar as suas reações, assim ele aprende conversar com a gente e o choro é uma dessas manifestações, ‘’olhe para mim, preciso de alguma coisa’’. Então, não significa dor necessariamente.
Por isso, precisamos saber e ter esse cuidado de entender que ele foi feito para a gente cuidar. E que não é tão difícil, ele dorme, nas primeiras semanas, 20 horas por dia. Mas, com certeza, se estamos ansiosos, essas 20 horas vão durar 24 e muito mais, de angústia. Pense especialmente que somos nós que apresentamos a vida para o nosso bebê.
Sou Luci Pfeiffer, médica pediatra. Agradeço a atenção de vocês. Espero todos na próxima semana com outra coluna Pequenas Conversas. Uma parceria à Rede AERP de notícias e o programa dedica de defesa dos direitos da criança e do adolescente.
