A coluna Pequenas Conversas é um espaço dedicado a falar sobre crianças, adolescentes e o cuidado necessário em cada fase desse desenvolvimento tão precioso. Um processo que começa ainda no nascimento, quando o bebê não tem noção de onde está, não coordena seus movimentos e depende integralmente de um adulto. Esse caminho segue até a vida adulta e, em todo esse percurso, algo é indispensável: a presença atenta de pais, mães ou cuidadores, oferecendo cuidado, atenção e orientação por meio da conversa.
Crianças e adolescentes precisam do olhar atento de um adulto ao seu lado. Precisam ser ouvidos, acolhidos e orientados para que possam crescer de forma saudável, emocionalmente e socialmente.
Com a virada do ano, surge uma frase muito comum: “ano novo, vida nova”. Mas será que essa ideia representa, de fato, uma vida completamente nova? Ou estamos falando de uma continuidade daquilo que já fazemos? E, mais ainda, por que associamos o novo ano à necessidade de mudar tudo? Será que a vida anterior não estava boa?
A proposta é refletir com mais profundidade. Talvez não seja preciso mudar tudo, mas sim fazer um filtro. Especialmente quando pensamos nas crianças, que dependem completamente dos adultos. Que atitudes merecem ser estimuladas, repetidas e ampliadas? O que pode ser oferecido com mais presença, mais paciência e mais escuta?
Da mesma forma, é importante refletir sobre o que não deve ser repetido. A impaciência excessiva, a irritabilidade diante de comportamentos que são próprios da infância e da adolescência, ou a expectativa de que crianças ajam como adultos. Esperar que elas tenham a bagagem emocional e comportamental de alguém que levou anos para amadurecer é uma missão impossível.
Crianças e adolescentes precisam testar, aprender, errar, ser orientados e amparados. E ninguém é mais importante nesse processo de ensino do que o pai e a mãe. São eles os principais exemplos, referências e guias nesse caminho de desenvolvimento.
Ao olhar para o ano que passou, vale refletir: quanto estivemos presentes? Quanto ensinamos? Quantas vezes dissemos “sim” de forma consciente e positiva? E quantas vezes dissemos “não” apenas para evitar incômodos ou por falta de tempo e paciência?
Talvez “vida nova” signifique exatamente isso: mudar aquilo que não foi bom, corrigir rotas e, ao mesmo tempo, continuar fazendo aquilo que deu certo. Fortalecer os vínculos, manter o que funcionou e aprimorar o cuidado com aqueles que dependem de nós.
A coluna Pequenas Conversas segue com esse convite à reflexão, lembrando que cuidar é um exercício diário, feito de escolhas, presença e afeto.
