Olá, que bom que vocês estão com a gente na nossa coluna Pequenas Conversas.
Falamos dos pequenos, das crianças e adolescentes, mas também desse mundo adulto que o rodeia e até para que esse mundo adulto pense o quanto de criança ainda tem dentro de vocês e o quanto de boas memórias, o quanto de momentos junto com os pais, com a família, com quem foi responsável pelo cuidar e pela educação de vocês foi bom. Também seria muito importante que a gente pudesse fazer um filtro até para fugir daquela ideia que não é real, que pai e mãe faz sempre o seu melhor e acerta sempre.
Não, por mais boa intenção que tenhamos, podemos errar. E quando olhamos para trás, muitas vezes, esse pai e essa mãe que nos cuidou e que pela nossa tradição deveríamos ter uma dívida eterna, precisamos rever o que foi de bom e fazer um filtro com aquilo que pela época, pela cultura, pela educação ou até mesmo por algum desvio, na possibilidade de assumir função materna e paterna, fizeram coisas que nos marcaram, que talvez até tenham desviado as nossas escolhas. E isso vai ser muito bom, não no sentido de um julgamento, mas sim no sentido de: isso foi bom, vou repetir com meus filhos, isso não foi bom, isso não me fez bem.
A palavra grosseira, a humilhação, o elogio negativo nunca é bom para uma criança ou adolescente. E se isso aconteceu na vida de vocês, não podemos simplesmente olhar para trás e dizer: pai e mãe estão sempre certos. Nós somos tão unipotentes assim, não somos capazes de controlar tanto a nossa mente e muitas vezes, a indiferença a criança, a incapacidade de cuidar, a incapacidade de querer estimular ou de usar métodos agressivos como se fosse necessário domesticar um bebê que está aprendendo a viver, um adolescente que está aprendendo a se colocar no mundo, seja usado sem nenhum filtro.
Poderíamos pensar melhor, podemos fazer melhor com os nossos filhos, com os que temos sobre a nossa guarda ou responsabilidade e assim poder sempre ter na próxima geração uma que nos supere, não só em metas, em sucesso na vida financeira ou profissional, mas na questão de poder fazer as mesmas, as melhores escolhas para uma vida feliz.
Pequenas Conversas é uma parceria da Rede Aerp de Notícias e do DEDICA – para a defesa dos direitos da criança e do adolescente. Sou Luci Pfeiffer, médica pediatra, psicanalista e agradeço muito a atenção de vocês.
