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Olá, que bom que vocês estão com a gente na nossa coluna Pequenas Conversas. Falamos sobre crianças e adolescentes, sou Luci Pfeiffer, médica-pediatra, psicanalista e gostaria muito de convidar vocês a analisarmos um pouco e pensarmos o que leva, o que temos tido nas notícias, nas últimas notícias, sobre a morte de um menino, o Henry Borel. Por que eu trago essa fala? Para que a gente possa analisar que uma criança é completamente dependente do mundo adulto.

Ela não tem como entender que situações de violência não seriam normais e que ela não mereceria isso. Por isso, desde as pequenas violências, como as grosserias do dia-a-dia ou mesmo a incoerência e a covardia de um tapa, de uma surra ou de uma humilhação de um adulto para uma criança, podem deixar marcas. Para algumas crianças pode levar a perda de vida, como temos muitos na história brasileira.

O Henry Borel, o Bernardo, e assim seguimos adiante com tantas que chegam as notícias. Outras nunca chegarão. Mas hoje eu trago esse tema para pensarmos qual a nossa responsabilidade na proteção dessas crianças que, mesmo que não sejam da nossa família, mas que estão no nosso entorno.

Seja no nosso entorno como vizinhos, como família, como escola e que vão apresentar seus sinais de sofrimento. A dificuldade de aprender, uma delas, a reprodução dos comportamentos agressivos e já falamos antes, nenhuma criança nasce agressiva, mostra que é o ambiente que ela está crescendo, que contém agressividade. Então, para nós que estamos no entorno dessas crianças, como as que estiveram no entorno do Henry, que pena que as que estiveram no entorno do Henry não agiram em favor dele, denunciando, notificando, se fosse família interferindo, se fosse vizinhos conversando e mesmo levando aos meios de proteção e justiça a notícia dessa violência, de qualquer tamanho que ela seja, para que os meios de proteção possam orientar aqueles que, sem uma intenção consciente, maltratam as crianças e adolescentes, supervisionar e denunciar aqueles que cometem violências tão extremas que possam levá-los à morte.

Deixo aqui esse pedido para todos que sabem que uma criança ou adolescente está sofrendo qualquer forma de violência, possam agir em seu favor. Eu agradeço a atenção de vocês e espero todos na próxima coluna Pequenas Conversas. Até lá!