Nesse mês de setembro estamos falando sobre desenvolvimento. E hoje temos outras interferências no desenvolvimento, como as telas, o mundo virtual e, às vezes, orientações que nem sempre são as melhores. Orientações de como cuidar do bebê, de uma criança ou de um adolescente não deveriam vir de experiências pessoais puras, e sim, do que sabemos da ciência, do que sabemos de real conhecimento.  

Nós sabemos que estímulos têm que vir de um ser humano em desenvolvimento, uma criancinha, um adolescente, tem que vir de outro humano. Infelizmente, as telas têm substituído – e muito – o contato das crianças com o meio externo. Para o bebê, o prejuízo é imenso. Tanto que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) proíbe ou recomenda que se proíba o uso de telas até os 3 anos de idade, porque é uma superfície plana de imagens que se repetem.  

Em 2016, nós fizemos uma campanha através do DEDICA, que se chama “Conecta-se ao que importa”. Ali tinha algo muito especial, que dizia que o celular e o tablet não abraçavam. Pense nisso da mesma forma para os adolescentes. 

Um adolescente que se fecha no quarto, que fica isolado, que deixa de querer a companhia de seus pares e de sua família, tem algo errado acontecendo. Não dá para que uma criança ou um adolescente em desenvolvimento substitua o colega de escola – com quem eles vão discutir, com quem eles vão falar de assuntos próprios da idade – pelo contato com o mundo virtual.  

O mundo virtual não só não abraça, como muitas vezes, pode até transformá-los em alvo. Através disso, muitos perversos dos 6 bilhões de internautas que estão aqui, eles são acessíveis e podem provocar outras agressões e muita violência. Então, a ideia de uma criança e um adolescente fechados no mundo da internet tem que ser revista. Nunca estarão protegidos, mesmo com vários controles parentais.  

O histórico tem que ser visto, e não seria possível proibir a um adolescente isso. Mas quem sabe substituir? Substituir pelo brincar em conjunto, pela conversa, pelo almoço e jantar compartilhados, sem televisão ligada, e sim com aquilo que a gente tem de mais precioso no humano, que é dividir nossas experiências e poder escutar nossos filhos.