O desenvolvimento de crianças e adolescentes está cada vez mais inserido em um mundo conectado e permeado pela inteligência artificial. Embora essas tecnologias possam ser extremamente úteis em diversas áreas, inclusive na medicina, é importante refletir sobre os riscos que elas podem representar para quem ainda está em fase de desenvolvimento. 

Nessa etapa da vida, valores e conceitos sobre o que é certo e errado devem ser construídos com a participação da família, da escola e do ambiente social, especialmente dos pais e responsáveis. Por isso, o uso da inteligência artificial por adolescentes deve ocorrer de forma supervisionada, com orientação e acompanhamento dos adultos. 

A inteligência artificial também está presente em muitas situações do cotidiano. Dispositivos conectados à internet podem coletar informações sobre nossos hábitos e preferências, formando perfis que permitem direcionar conteúdos e ofertas de consumo. Assim, uma propaganda de um eletrodoméstico ou de um tênis da moda pode ir além de uma simples oferta comercial, utilizando informações sobre os interesses e comportamentos de crianças e adolescentes para influenciar suas escolhas e estimular o consumo. 

Outro ponto de atenção é o tempo excessivo que crianças e adolescentes passam conectados, muitas vezes sem interrupções e até durante a noite ou a madrugada. Quando isso acontece, é necessário questionar se existe supervisão adequada e quais impactos esse comportamento pode ter na rotina, no descanso e no desenvolvimento desses jovens. 

Caso esse cenário já esteja presente na família, é importante estabelecer mudanças. Sempre que crianças e adolescentes recebem dispositivos com acesso à internet, é fundamental definir regras claras para o uso, considerando horários, limites e acompanhamento dos conteúdos acessados. Essas medidas ajudam a prevenir situações de risco, como abordagens de pessoas mal-intencionadas no ambiente virtual, além de reduzir a exposição à pressão da indústria de consumo. 

Apesar das inúmeras possibilidades e dos benefícios que o mundo digital oferece, também existem riscos que não podem ser ignorados. A prevenção é uma responsabilidade dos adultos, que devem orientar, acompanhar e estabelecer limites para garantir uma relação mais segura com a tecnologia. 

Por isso, vale a pena observar como crianças e adolescentes do nosso convívio se relacionam com a internet e a inteligência artificial. O diálogo e a supervisão são fundamentais para que essas ferramentas sejam utilizadas de maneira consciente e adequada a cada fase do desenvolvimento. 

Muito obrigada pela atenção. Espero que essa reflexão seja compartilhada e levada adiante. Até a próxima edição da coluna Pequenas Conversas!