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Olá! Que bom ter vocês com a gente na nossa coluna Pequenas Conversas, onde falamos sobre infância, adolescência e esse mundo maravilhoso pelo qual todos nós já passamos, mas que continua presente na vida de nossos filhos, netos, alunos e de tantas crianças à nossa volta, que precisam sempre de um olhar especial.

Sou Luci Pfeiffer, médica pediatra e psicanalista, e gostaria de conversar com vocês hoje sobre esse tempo tão especial da vida e sobre as necessidades da infância, que permanecem as mesmas, apesar das mudanças do mundo.

Muitas vezes pensamos que a vida nos apartamentos, cercada pela tecnologia que ocupa grande parte do tempo das crianças, oferece mais proteção ou melhores oportunidades. Mas não é bem assim. Nada mudou no cérebro humano nem no processo de desenvolvimento neuropsíquico infantil.

Quando nasce, a criança precisa de atenção e de vínculo. Ela necessita construir um laço com o adulto cuidador, que irá lhe ensinar as regras, os valores e as formas de conviver no mundo. Por isso, é importante conversar com o bebê desde os primeiros dias de vida, explicando tudo o que fazemos com ele. É dessa interação que surgem os primeiros aprendizados e a construção da segurança emocional.

Quanto mais próxima e presente for a pessoa que cuida desse bebê, melhor para o seu desenvolvimento. Por isso era tão importante aquele período em que a mãe podia se dedicar quase exclusivamente ao bebê, apresentando o mundo a ele e, ao mesmo tempo, apresentando-o ao mundo.

Na infância, também nada mudou. A melhor forma de estimular uma criança continua sendo o brincar. Seja por meio da brincadeira livre ou da experimentação de objetos, como faz o bebê que leva tudo à boca para conhecer o mundo, o brincar é fundamental para o desenvolvimento.

O ideal é que a criança tenha acesso a brinquedos adequados à sua idade, que promovam interação e descobertas, e não apenas às telas. Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que, até os dois ou três anos de idade, a criança permaneça livre de celulares, tablets e outras telas.

É importante que ela saia desse universo pronto e extremamente sedutor para vivenciar o mundo real, onde poderá explorar o ambiente, experimentar situações e aprender, com o auxílio de um adulto cuidador, o que pode e o que não pode fazer.

O mundo virtual é um ambiente sem limites concretos e restrito a uma única dimensão de experiência. Ele não humaniza a criança da mesma forma que as relações reais.

Por isso, vale a pena prestar atenção às recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, bem como das sociedades americana e francesa de pediatria, além dos diversos estudos sobre neurodesenvolvimento. Todos apontam para a importância de evitar o acesso às telas nos primeiros anos de vida.

Pensem nisso. Precisamos oferecer às crianças as condições ideais para o desenvolvimento, porque essa fase passa muito rápido.

Agradeço a atenção de vocês em mais uma edição da nossa coluna Pequenas Conversas, uma parceria da Rede Aerp de Notícias com o Programa Dedica. Espero que estejam conosco novamente na próxima semana.

Até lá!

Pequenas Conversas é uma parceria da Rede Aerp de Notícias e do Programa Dedica de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.