Olá, sejam bem-vindos à nossa coluna Pequenas Conversas, onde falamos sobre crianças e adolescentes e o seu cuidar.
Estamos numa sequência de falas sobre a adolescência e vamos conversar hoje sobre a importância desse período para um ser em desenvolvimento.
Se vocês se lembrarem da história de Alice no País das Maravilhas, vão recordar de uma cena em que ela toma uma poção e, de repente, cresce, cresce, cresce e já não cabe mais na salinha em que estava. É uma representação da adolescência e desse crescimento que assusta, porque não se sabe exatamente o que está acontecendo.
Talvez os adultos que nos escutam possam lembrar dessa fase em que o corpo muda. Muitas vezes, o adolescente se cobre inteiro porque começam a aparecer características no corpo que representam a transição para a vida adulta e que podem assustar, já que ele não sabe onde aquilo vai parar. As extremidades crescem primeiro: o nariz, a orelha, o queixo, as mãos e a região genital. Sem orientação, essas mudanças podem causar muita insegurança.
Se vocês se lembrarem dessa imagem da Alice crescendo e já não cabendo mais naquele ambiente, entenderão como a adolescência pode ser vivida. Com orientação, porém, esse processo acontece de forma muito mais leve e tranquila, porque o adolescente sabe o que esperar.
A pediatria pode orientar essa transição por meio do pediatra ou do hebiatra, que é o médico especializado em adolescentes. Mas, em casa, também é fundamental conversar sobre a evolução do corpo, suas mudanças e até sobre a sexualidade que começa a se manifestar.
Esses diálogos são muito importantes para que os valores e conceitos venham dos pais e dos educadores, e não apenas de conversas na internet ou de conteúdos que podem não ser adequados.
Faz parte desse período de transição sentir dúvidas e inseguranças. É comum o adolescente trocar de roupa várias vezes antes de sair, porque a imagem mental que ele tem do próprio corpo está mudando. Como essa imagem ainda está em construção, ele não tem certeza de como realmente é ou de como será.
Por isso, existe tanta preocupação com a aparência, com as roupas e com o desejo de usar aquilo que o grupo utiliza, buscando um sentimento de pertencimento.
Acolher essas dúvidas, conversar sobre elas e oferecer apoio e direcionamento pode fazer muito bem ao adolescente, ajudando-o a desenvolver mais segurança em si mesmo. Aquilo que chamamos popularmente de amor-próprio é construído durante a infância e a adolescência, especialmente a partir do cuidado e da presença dos adultos que fazem parte da vida desse jovem.
Sejam os pais, os avós, a família extensa ou os professores, todos têm uma participação muito importante nessa formação.
Eu agradeço a atenção de vocês e espero que nos acompanhem na próxima coluna Pequenas Conversas.
Até lá!
