Olá, é muito bom ter vocês com a gente na nossa coluna Pequenas Conversas, onde falamos de crianças e adolescentes.

E hoje eu gostaria muito de falar com vocês, como pediatra e psicanalista, sobre essa diferença entre criança e adolescente.

Há tempos, essa passagem era muito bem marcada. Existia a data do baile de 15 anos e, a partir dali, a criança era considerada adolescente e apresentada à sociedade.

Mas o mundo mudou.

Desde muito cedo, muitas crianças são levadas a querer ou precisar imitar o mundo adulto, com muitas atividades durante o dia e sem tanto tempo para o livro e para o brincar.

Isso é importantíssimo para a formação da personalidade e para o desenvolvimento psíquico, para que ela possa pensar por si mesma e não seja induzida a ter atitudes ou comportamentos para os quais ainda não possui instrumentos psíquicos.

Como uma criança poderia acertar tudo? Como ter um comportamento perfeito? A infância é aquela época de tentar, errar e ser ensinada. Ela não nasce pronta.

Por isso, precisamos dizer não e fazer esse não valer.

“Não pode mexer na tomada.” Eu coloco um tampão de tomada. Espero que, para uma criança de dois anos, eu diga “não mexa” e ela não vá mexer. Se ela vir a gente fazendo isso, ela vai repetir.

Ao mesmo tempo, temos toda uma mídia e um consumismo que levam a infância para coisas da idade adulta, muito mais até do que na adolescência.

Hoje, introduziu-se no mercado a maquiagem infantil. Por que uma criança precisaria de maquiagem? Ela pode provocar alergias e sensibilização.

As crianças são lindas por natureza. Por que precisariam dessa máscara a mais?

Temos também os sapatos de salto, que não deveriam existir nessa fase, porque a criança está constituindo toda a sua estrutura óssea e sua coluna. Ela precisa andar descalça na areia, na grama, usar tênis e sapatos confortáveis, para que possa correr e brincar sem cair.

Criança tem que ter atividade de criança.

E não devemos nos envergonhar se, aos oito, nove, dez ou onze anos, ela ainda quiser brincar de boneca. O brincar é o treino da idade adulta.

O menino pode brincar com seus carrinhos, com a bola ou brincar com uma menina sem que isso seja depreciativo para ele.

Ao contrário, precisamos deixar que a infância exista e cuidar para que não sejamos engolidos pela mídia e pelo consumo.

Não podemos roubar das crianças essa fase tão linda de conhecer e experimentar o mundo.

Eu agradeço a atenção de vocês e espero que nos acompanhem na próxima coluna Pequenas Conversas.

Até lá!